Muitos de nós podemos concordar que Damon Albarn fez muitos acertos em sua carreira. Mesmo desafiando barreiras tecnológicas da época, ele (e seus parceiros) realizaram o estranho projeto de ter uma banda desenhada nos idos de 1998. Nascia ali, a lenda Gorillaz.
Cracker Island é o capítulo mais recente na saga dos quatro personagens-integrantes da banda, cada um com histórias bem delineadas e desenvolvidas, mas também é um manifesto nada sutil sobre vários aspectos dessa pós modernidade a qual nos sujeitamos. Basta dar uma passeada pela faixas do disco, vamos nos deparar com influencers cansados, scrollings infinitos, a passagem do tempo. Talvez, e só talvez, Albarn esteja nos dizendo que está ficando velho. Mas eu não seria capaz de afirmar nada.
Para quem tem a possibilidade de ouvir em alguma dessas plataforma digitais que nos extorquem periodicamente, sugiro que busquem a versão deluxe, que contém, entre outras, a participação do ilustre MC Bin Laden (cujo nome nos trend topics na época do lançamento fez vários estadunidenses coçarem a cabeça absolutamente incrédulos), numa faixa que me agrada bastante, poderia até dizer que é uma das melhores do disco, mas não vou dizer não.
A faixa título, primeiro single, é um passo-a-passo da construção de uma seita (que faz parte das desventuras mais recentes dos personagens/integrantes), Baby Queen é uma das faixas mais doces do disco, do tipo de música que eu cantaria para a minha filha adolescente, Skinny Ape é surpreendentemente pessoal, sensível mesmo. Quase tanto quanto Silent Running, cuja versão piano e voz na versão deluxe provavelmente justificaria a aquisição do disco em todos os formatos possíveis.
Damon Albarn foi (e em muitos casos ainda é) considerado um gênio, um visionário, um homem à frente do seu tempo. Em Cracker Island, o vemos tentar compreender e talvez nos explicar o tempo em que vivemos, talvez quase admitindo que seu tempo já passou... mas eu jamais diria um absurdo desses.
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